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Por que liberar?
A
fantasia sexual, para muitos, é um lugar de mistério e excitação, onde
as imagens de prazer se misturam ao proibido. As regras contra a
liberdade sexual se originaram das sociedades mais primitivas, quando os
homens temiam os mistérios da sexualidade feminina e o seu poder de
reprodução. Para o estabelecimento e sobrevivência da sociedade
patriarcal era importante a crença na supremacia masculina (só os homens
"precisam" de sexo), na assexualidade feminina e na cisão das mulheres
em "santas e putas". Ter em uma única mulher sexo e amor, tornava-a
muito poderosa e o homem, muito inseguro para competir no domínio
público. Para evitar lidar com o seu temor à sexualidade feminina, o
homem condenava-se a uma vida com uma mulher sexualmente inerte e
entediante, optando a procurar prostitutas. As fantasias sexuais
permitiam às mulheres transitar a fronteira dos comportamentos
aceitáveis ou não socialmente.
Adentravam o mundo proibido onde não havia nenhuma regra ou limite para
expressão da sua sexualidade. As fantasias sexuais permitem às mulheres,
expressarem todas as emoções reprimidas por várias gerações anteriores,
como a agressividade, raiva, competição, luxuria e a determinação de
controlar suas próprias vidas. Nas fantasias sexuais, após gerações de
limites, não há mais restrições nem regras, e desses valores sexuais
ilimitados e não estruturados nasceu a fantasia da grande sedutora. O
desejo de tomar a iniciativa e ter o controle do sexo até que todo seu
apetite sexual esteja satisfeito é o tema de muitas fantasias. A
variedade ajuda a manter a excitação. As fantasias de "estupro", em que
se é forçado ao sexo, continua sendo muito freqüente, agora ao lado do
estupro masculino por parte da mulher e chegando até ao spanking,
bondage ou inversão de papéis.
Nas fantasias, as mulheres separam o amor (romance) do sexo, onde em seu
ambiente favorito se encontram com o homem com quem não tem qualquer
relacionamento. Mulheres desafiadoras dos mitos traduzem preconceito
querendo experimentar ter controle e poder sexual.
As fantasias sexuais femininas são classificadas, segundo Friday (1994)
em três grupos:
Mulheres sexualmente dominadoras, sedutoras, às vezes sádicas;
Mulheres insaciáveis: Clamando por "mais"!;
Mulheres com Mulheres.
As mulheres dominadoras sonham em levar um homem ao prazer orgástico,
revertendo os velhos papéis e, para variar, assumindo a posição de quem
controla o sexo. Essa fantasia resgata a agressividade natural e a
bravura inicial da infância, desaprendidas na adolescência graças a uma
terrível necessidade do amor do outro e o conformismo limitado e
estereotipado papel feminino. A mulher vive o desejo de iniciar e
controlar o prazer sexual mesmo que apenas na fantasia. A grande
sedutora assume riscos, é responsável e não se deixa dominar pelas
regras sociais. As mulheres querem deixar claro que todo poder
encontra-se sensualmente em suas mãos, sem existir crueldade ou dor. Na
fantasia há sensação por parte da mulher de completo controle sexual
tornando-se a ponte entre a realidade e o futuro. Tudo que se imagina é
seguro pois a mulher tem as rédeas, elas são donas de suas fantasias.
Nas fantasias sádicas, as mulheres se sentem seguras de expressarem sua
raiva reprimida por tanto tempo, demonstrando serem tão mesquinhas e
cruéis quanto alguns homens. Através de experimentar a raiva, o desejo
de vingança e até mesmo o sadismo, as mulheres vivenciam a liberdade
sexual. Independente de qual seja a fonte de sua verdadeira raiva, as
mulheres em suas fantasias sempre atacam os homens, amarrando-os,
deixando-os famintos e infantilizando-os, currando-os, tratando-os como
objetos sexuais e finalmente voltam-lhe as costas buscando a satisfação
sexual com outras mulheres.
Todas as fantasias com mulheres começam e terminam com ternura, não há
pressa no sexo. Em suas fantasias as mulheres podem se sentir excitadas,
dóceis, tolas, despreocupadas ou simplesmente eróticas em relação a
outras mulheres. Podem aceitar as fantasias homossexuais como uma
expressão de afeto, curiosidade e experimentação, causando um enorme
terror e ansiedade aos homens. O sexo feminino ainda é um enigma para a
própria mulher. Após séculos de aceitação passiva sem questionamentos,
as mulheres se olham como se não se conhecessem, tentando decifrar este
mistério que é a mulher. O desconhecido é excitante, onde o toque da
outra mulher é duplamente atraente sendo tranqüilizador e ao mesmo tempo
erótico. Como em um espelho, a mulher se vê como sonhou, através da
imagem de uma mulher bela, nua e erótica.
O sabor do proibido faz com que as mulheres alcancem uma identidade
sexual própria desafiando a autoridade, transgredindo as regras,
arriscando a perda do papel de boa menina e separando-se emocionalmente
da mãe. Mesmo sentindo-se profundamente culpada em relação à sua
sexualidade, elas lutam para crescer, obter autonomia, ultrapassar os
limites que foram impostos e controlar suas próprias vidas.
As mulheres sexualmente aventureiras, desejam mais sexo do que os
homens. Verifica-se uma curiosidade sem limites em relação a outros
homens. Elas fantasiam o sexo numa quantidade, que com freqüência tem
pouca relação com a razão ou a realidade, que expressa o desejo de
experimentar todas as possibilidades de seu próprio corpo e a
necessidade de recuperar o tempo perdido. Fazer sexo com mais de um
homem de uma só vez, que tenham pênis grandes, que as preencham em todos
os orifícios, representa uma reação ao tradicional papel de passividade
imposto às mulheres.
Após aprender a respeitar seus genitais, as mulheres descobriram quão
excitante era a masturbação e posteriormente o sexo oral e quão
garantido o orgasmo clitoriano. Através de seus sonhos eróticos, as
mulheres combinam o prazer anal com o clitoriano, na expectativa dos
homens lhes darem a satisfação total. Por compreenderem suas vidas, as
mulheres se sentem, através das fantasias, poderosas em dar o prazer,
livres para olhar os homens, para usar termos pornográficos, para
desfrutar o cheiro do sexo e até mesmo para se excitarem pelos sons do
sexo.
No caso do sexo grupal, as mulheres excitam-se por estarem no comando,
ser a responsável pelo prazer de todos, assegurando de que emoções
negativas nunca ocorram.
Ao observarem dois homens se relacionando sexualmente, as mulheres
buscam compreender o que faltam em seus próprios relacionamentos
heterossexuais na vida real, buscando assim conhecer melhor a si mesmas.
Na inversão de papéis, as mulheres experimentam tudo que durante anos
foi considerado masculino. Elas não desejam abdicar de suas vaginas, não
querem desistir de nada. Se imaginam possuindo um pênis agressivo e
dramático que simbolize o seu poder, daí o surgimento da dominação
feminina. Uma excitante e bem vinda forma de prazer.
Fantasie! Lute pelo seu prazer! Coloque em prática o que você fantasiou
e liberte-se das condições impostas pelos homens e seja uma nova mulher,
um novo homem! As fantasias sexuais enriquecem nossas vidas e podem nos
ajudar de muitas formas:
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Podem aumentar nosso prazer ou superar a monotonia;
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Permitem que nos revelemos contra a autoridade;
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Ajuda-nos a lidar com conflitos sexuais;
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São fontes de estímulo para masturbação ou escape da realidade;
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Podem ser uma fuga da frustração ou tédio;
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Podem ser uma preliminar excitante para manter o interesse sexual.
Baseado no texto "Fantasias Femininas" de Dra. Maria Angélica Carvalho
Andrade.
Adaptação: StrapOnLine.

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