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A
princípio, o Senhor dos Seres criou
os homens e as mulheres e, sob forma
de mandamentos, divididos em cem mil
capítulos, traçou as regras que
deviam orientar suas vidas a
respeito de Dharma, Artha e Kama.
Esses mandamentos foram escritos
separadamente, sendo o que se refere
a Dharma redigido por Swayamblou
Manu; o relativo a Artha foi
compilado por Brihaspati; e o que
trata de Kama foi apresentado por
Nandi, discípulo de Mahadeva ou
Shiva.
Mais tarde, os Kama Sutra (Aforismos
sobre o Amor), escritos por Nandi,
em mil capítulos, foram reproduzidos
por Shvetaketou, filho de Uddvalaka,
em forma abreviada, formando
quinhentos capítulos; esta mesma
obra foi novamente reproduzida e
abreviada, formando então, apenas
cento e cinqüenta capítulos, por
Babharavya, descendente de Punchala
(ao sul de Delhi).
Estes cento e cinqüenta capítulos
foram reunidos sob sete títulos ou
divisões, desenvolvidas cada uma por
diferentes autores, a saber: Assim,
tendo sido redigida em partes
separadas, e feita por diferentes
autores especializados, era quase
impossível reunir e completar tal
obra, pois as partes tratavam de
assuntos especiais, cada um dos
quais era o tema central.
Considerando, ainda, que a obra
original de Babharavya não era de
estudo fácil, devido à sua extensão,
Vatzyayana resolveu compor a
presente obra, para formar apenas um
volume, resumindo com arte e saber
todos os trabalhos dos, acima
citados, sábios.
O homem, cujo período de vida é de
cem anos, quando não é abreviado por
distintos acidentes, deve praticar
Dharma, Artha e Kama, em diferentes
épocas, e de tal maneira que não se
dificulte o cumprimento de todos os
preceitos. A infância deve ser
consagrada ao estudo; durante a
juventude e a idade madura, ele deve
ocupar-se de Artha e Kama; na
velhice deve praticar Dharma.
Dharma é a obediência aos
mandamentos de Shastra, ou Escritura
Sagrada dos hindus; consiste na
execução de determinados atos como,
por exemplo, os sacrifício, que
geralmente não são praticados,
porque não exercem influência alguma
sobre as coisas deste mundo, e na
abstenção de outros atos, tais como
comer carne que se pratica
freqüentemente pelo bom resultado
que produz.
Artha é a aquisição do conhecimento
das artes, das terras, do gado, da
riqueza, da riqueza, do comércio, da
agricultura e da riqueza, do
comércio, da agricultura e da
indústria; são as relações sociais e
domésticas que os funcionários e
homens de negócio não devem ignorar.
Kama é o gozo de objetos adquiridos
pelos cinco sentidos, auxiliados
pelo espírito unido à alma. O ponto
essencial é o contato entre o órgão
do sentido e seu objeto. A
consciência do gozo resultante
chama-se Kama. É um conhecimento que
se adquire no Kama Sutra e na
prática.
Quando todos os três - Dharma, Artha
e Kama - estão reunidos, o
precedente é melhor que o seguinte;
isto é, Dharma é melhor que Artha, e
Artha é melhor que Kama. Porém, para
o governante, Artha ocupa o primeiro
posto, pois é o que lhe permite
assegurar os meios de subsistência
do povo. Do mesmo modo, Kama trata
das mulheres públicas. Elas devem,
portanto, preferi-lo aos outros
dois. Estas são as exceções à regra
geral.
Há os que afirmam não haver
verdadeira razão para nos apoiarmos
na observação do Dharma, pois ele só
se relaciona às coisas da vida
futura, e se desconhece o resultado
do gozo derivado das obrigações
ritualísticas. Prosseguem dizendo: é
ingenuidade encomendar a outrem o
que se tem nas próprias mãos; pois é
melhor ter uma moeda de cobre com
que se conte hoje, do que a promessa
de receber outra de ouro noutro dia.
O homem deve estudar o Kama Sutra,
depois de saber as artes e as
ciências referentes a Dharma e
Artha. As jovens solteiras devem
estudá-las antes de contrair
matrimônio, continuando o estudo das
artes e das ciências acessórias com
o consentimento do esposo. Este
somente poderá negar alegando que as
mulheres não precisam estudar
tratados e suas explicações, não
havendo pois, motivo que justifique
tais estudos.
Saiba mais:
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