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Os
pajés tupis-guaranis, senhores dos
segredos da natureza, contavam que, no
começo do mundo, toda vez que a Lua se
escondia no horizonte, parecendo descer
a encosta das serras, ia viver com suas
virgens prediletas. Naiá, filha do
venerável chefe e princesa da tribo,
ficou muito impressionada com a estória.
E altas horas da noite, quando todos
dormiam e Lua andava pelo lado do
horizonte, galgava as montanhas para
encontrar a Lua.
Contavam também os velhos adivinho
que a deusa Lua, quando gostava de uma
jovem, transformava em luz toda a pureza
contida em seu corpo. Depois, conduzia
essa luz para as mais elevadas nuvens,
onde ela se tornava estrela. Assim
explicavam o surgimento das estrelas.
Naiá, querendo ser transformada em
estrela, subia as colinas perseguindo a
Lua. Mas, a cada colina ultrapassada, já
a deusa se debruçava sobre outra, cada
vez mais fascinante e fugidia. Essa
busca contínua foi definhando a moça.
Não havia filtros nem sortilégios dos
pajés que conseguissem curá-la. A tribo
acreditava que o astro acabaria indo ao
encontro de Naiá.
E assim vivia jovem a vagar nas
noites enluaradas, ferindo-se nas
pedras, aos soluços. Certa vez, quando
viu no espelho de um lago a imagem
branca da Lua, faiscando luz, atirou-se
à água. Durante semanas a gente da tribo
procurou-a, inutilmente, nas selvas
vizinhas. No entanto, a Lua, que gerava
as águas, os peixes e as plantas
aquáticas, quis recompensar o sacrifício
da jovem virgem.
Recusando-se a colocá-la no
firmamento, fê-la; estrela das águas,
transformando-a em flor. E fez nascer do
corpo branco da infeliz Naiá uma
misteriosa planta, na qual a imensa
candura do espírito da jovem desabrochou
numa grande flor perfumada.
Depois, estirou quanto pôde a palma
das folhas, para que ela recebesse
melhor os afagos de sua luz. Por isso, à
noite, Naiá desnuda-se para receber, nas
águas mansas, os beijos do luar.
Era assim que os índios explicavam a
origem da vitória-régia.
Fonte:
Enciclopédia Novo Conhecer - Abril
Cultural / Autor desconhecido |
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